terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O amotinado

(ou todas essas palavras são canções para você, Verônica)

Desculpe mas essas são todas as palavras que queria te dizer antes. Me desculpe. Eu posso sentir todas suas cores se transfomarem em azul... E bem... Os prolongamentos inúteis continuam e o peso dos dias vazios entorna. As sombras solitárias de nossos longos enganos resume todos aqueles rostos esquecidos. Amores separados. Ficar sentado nunca foi o bastante. Nunca será. Me desculpe.

domingo, 8 de novembro de 2009

Longe no espaço, dias distantes

(Ou enquanto não recupero o meu jogo de pôquer coloco qualquer coisa num espaço vago)

Há algumas passagens que causam tremores sobrenaturais. Momentos de tubulência como se sua respiração fosse o desacelerar de algum carro capotando, ou mesmo, aqueles pensamentos vestidos disso. Toda pressão joga pedras em você, pressões talhadas por granito e penumbra do outono. Mas antes dos ritos de primavera todos os significados se mostrarão e todas as coisas farão sentido. Será apenas um gostinho do que virá e, entretempos, apenas um relance do que passou.

Por que por enquanto somos livres e nos manteremos a cumprir nossas promessas com aquele beijo suga-suga e as danças lentas sob os satélites acima de todas as cidades da Terra. E não mais o medo. Não mais aquela hesitaçãozinha. Não mais os mesmos passos. Há apenas o sabor de créme brûlèe e a o cheiro de baunilha.

E eu sou invencível o suficiente para sobreviver a psicopatas indestrutíveis a la Jason, invasões marcianas ou infestações de zumbis, passando por fantasmas orientais que surgem de videos cassetes ou ataques de monstros gigantes japoneses vestindo uma pele de borracha. Tudo isso só pra mais uma manhã de amanhã.

E para amanhã qualquer pretexto serve, para amanhã qualquer desculpa serve.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Fora de mão e fora de Tempo

(ou como gostaria de preservar aquela mania que todos esquecem quando crescem)

Eu não sei o que escrever. Você pode não acreditar mas... hmm.. lá vai, perdi toda a minha verve literária (e criativa) num jogo de pôquer. Ok, você vai dizer "devia aprender mais antes de apostar" ou "como você pode fazer isso?! Isto não é um substantivo feminino?" mas quando não tinha mais dinheiro na mesa e a pressão acelerada dos adversários me impuseram como ultima solução e alternativa apostar minha "habilidade de escrever sem ligar para os erros ortográficos e as várias metáforas", a única coisa que tinha na hora (e consegui pensar). Será que cairiam nesse blefe afinal? Mas do que adianta um par de ases quando o oponente tem um Royal straight flush? Ainda bem que restou um pouco de orgulho sorridente e um brinde de autopiedade crítica.


Foi um pouco de tudo nesse turbilhão e, como de praxe, posso colocar a grande parte numa lista meio básica:

1- A ironia refinada de Machado de Assis;
2- Aquelas frases desconexas-com-nexos meio joviais do Corgan;
3- Aquela melodia pop grudenta (como chiclete de menta no sol) que evito mas acabo caindo vez ou outro;
4- "Blam" "Kataploft" e todas as onomatopéias do Batman;
5- Aquela foto da Lilian Gish com aquele gostoso sorrisinho tímido adornado naqueles belos lábios;
6- A-metódica-e-intricada-relação-de-ver-detalhes-insignificantes-a-olho-nu;
7- As teorias inventadas em raciocínios rápidos para perguntas sorrateiras;
8- O tédio que ofusca o sol e eu não me importo de estar no caminho.

E espero que só... Só isso basta para mergulhar e achar mais coisas. E tudo o que passou és uma parte de mim agora.

domingo, 11 de outubro de 2009

Aqui, ali e em lugar algum

(ou sarcasmo no estilo "Uma estrela é um corpo celeste luminoso formado de plasma, tempero e tudo o que há de bom" ou, mesmo "foda-se Pirronismo")

Da proxima vez que o cometa Halley passar eu pegarei uma carona nele. Mesmo que seja em 2058 e tenha que ficar deixando o dedão em riste por todo esse tempo. Mesmo que não houver tempo pra tudo (e creia que tempo nunca é somente tempo). Uma fuga entre poeira estelar sob a orla da órbita e o olhar discreto das estrelas acima já compensa tudo. É quase como as noites em que pego o violão (roubado do meu colega de republica) e fico tocando na janela para a (já citada) pláteia de gatos minguados e cães vadios. Alguns miam o que eu espero ser um 'bis' (mas "smiley" e "we only come out at night" tem uns acordes e pegas safadas e "the aeroplane flies high (turn left, look right)" não é legal sem distorção) e outros latem como se quisessem uma música em especial (não me venha com "Who let the dogs out" do Baha men).

Então fico mudando de 'ré' para 'mi' e 'sol'. Enquanto entro nesse quasetranse, passa por minha cabeça todos aqueles sorrisos gigantescos e calorosos* que me fazem ter aquela dorzinha agradável que creio ser similar a uma dominatrix que chicoteia os caras de máscaras de couro a la bondage. E é nesse estado de dormencia-que-me-faz-lembrar que encontro uma maneira de variar o meu cotidiano porém deixando-o a continuar sendo o mesmo. Sabe, hmm... é quase como quando você parece que está sonhando acordado, entende? Quando não sabe se sonhou aquilo tudo ou vivênciou? Se são memórias mesmo ou algum sonho de março. Eu tenho bastante disso mas espero não ser o único.

Ok, isso tá começando a soar e ficar Lynchiano demais (e olha que só assisti 'Eraserhead', pedaços de 'Twin peaks' e 'A estrada Perdida' para entender que ele é complicado) e eu curto Fellini. Que embora realista não deixa para trás um Kurosawa.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

+

('Soma' que não é uma droga do Huxley e nem energias místicas do Hindu)

Ratatá! ka-bum! E tome mais um pouquinho disto.

Um sorriso medular que brota entre as frestas da boca e memórias refrescadas por um noite chuvosa. E a chuva cai em todo mundo, só pra mandar um "olá! Eu sou real" depois de todas as suas benções exclarecidas. Entremomentos que parecem nanosegundos eternos, Judy Garland sussura 'Somewhere on the rainbow' como uma cantiga de ninar perto do meu ouvido (não importa o quão gay isso soou). E as gotas de água se retorcem e demorar a cair no chão, provocando aquele extrondoso "plim".

Do mesmo
(adendo de 26 de Setembro, "
Garota tão descolada/ Eu quero que você saiba/ não sei quanto a você/ mas eu sou um cão andaluz")

Katablam! Crash! "Por que?" "Porque!".

Um baque surdo estoura perto da cabeça, o suficiente para deixar aquele barulhinho irritante (que logo passa) no ouvido. Você deve saber como é: está apressado na rua, olhando suas pegadas nos primeiros dias de primavera e lá está a surpresa, que ironicamente pode variar: desde aquela menininha de olhar tímido, o bêbado que parece ter tourette e xinga compulsivamente a árvore do lado da sua casa (e da sua janela), ou mesmo, aquela garota do auto-escola que tem uma das risadas mais gostosas que você já ouviu e com toda certeza ensinaria bem balizas apenas hipnotizando com seu sorriso. E é nesses segundo que você nota um delineador facil e natural na sua boca, são aqueles pequenos segundos que iluminam tudo. A poeira é deixada e as frestas se abrem. E eu toco alguns acordes na calada madrugada para uma platéia de gatos minguados e cães vadios, temendo ser comum assim como todo mundo.

domingo, 5 de julho de 2009

Larranjas

(Ou leia esse tópico ouvindo 'Gold Soundz'* do Pavement num clima Puer Arternus)


Naquela época eu tinha mãos pequenas e dedos curtos. Uma voz mais fina e cabelos mais desorganizados. Talvez seja o clima, ou talvez um filme que assisti semana passada, que deixou esse gosto de nostalgia. Como bala de tutti frutti ilustrada por um macaco risonho. Nostalgia. E essa palavra me remete a várias outras palavras-chaves e conceitos/frases/parâmetros em apenas alguns miléssimos de segundo e que duram aeons:

- joelho esfolado, bermudas por cima da camiseta (com um senso ridículo de moda), sorriso sem dente, namoradinha loira com sardas, bicicleta sem freio, sol amarelo sob a descida de casa, sorrisos coletivos de uma turma de crianças que xingavam e nem sabia o que significava "filha da puta", sem vergonha de andar na rua com fantasia do super-homem, cicatrizes de vários tombos e aventuras, fazer cara feia por ter que comer alface e cenoura;


"go back to those gold soundz and keep my advent to your self"

Lembro de minha diversão favorita, imaginar ser algo extraordinário, único por vezes: um cavaleiro contra legiões de monstros, um ser de algum planeta alienigena, um Arnold schwarzenegger sem escandalos sexuais, um melhor amigo dos meus várias amigos imaginários. Pegava o espeto de churrasco (feito de aço vagabundo que as mães temem que ceguem os filhos numa estacada), uma arma laser-que-emitia-vários-ruídos-estranhos-acima-de-85-dB e uma toalha velha que servia de capa.

Pec-kazum-ziuziuziu-clap, e lá se ia o monstro de vários braços e tentáculos (ou o pé de acerola no quintal, que comecei a enxergar quando fiquei maior).

"keep your address to myself 'cause we need secrets we need secrets crets crets crets crets crets back right now"

E o que você não daria por um pouco daquele sabor tutti frutti?

*sim, eu sei 'Gold Soundz' não tem nada a ver com nostalgia mas estava cansado de colocar '1979'.

terça-feira, 10 de março de 2009

Nada do mesmo

(Ou um nada enfurnado de tantas coisas que rapidamente tornam-se vagas)

Tudo volta como um enjôo matinal de um bêbado e a força descomunal de um sorriso infantil. Há recordações tão significantes que se encontram desde bonecos (gnomos) natalinos decapitados passando por golpes marciais de garotas escândalosas (que ainda me surpreendem) à ex-garotas grávidas/com tendência sexual alterada. E nada é diferente. Nada. Por mais minucioso e digerível que seja.

Mas isso soa como palavras na chuva, como quando faladas pela segunda vez. Logo, sem tantas novidades alarmantes ou figura pitorescas-memoráveis-de-um-dia-comum.
Poucas novidades além dos sonhos que cada vez mais teimam em parecer uma música psicodélica do Pink Floyd composta visualmente por Max Ernst.

Coisas como "aranhas que tecem a poeira de prédios mortos assim que minha respiração terminar de ser asfaltada". E todos os sorrisos que conquistei, todas as palavras ditas e proscritas, todas as rimas que insisto em persistir estão aqui do meu lado. Desde as mechas loiras já não mais infantis que trato como "forca psicológica", desde um sorriso torto que me traz esperança e desde olhares gargalhantes de um dia sem núvens cinzas com o sol a pino.

Nada, nada além do mesmo.

p.s.: quando um coquetel de cerveja, um palmo de martinis e doses de tequilas mostram o quão um post de blog pode variar de humor mesmo com essa ultima passagem com "teor-dramático-kitsch-blá"... hahaha