(ou sarcasmo no estilo "Uma estrela é um corpo celeste luminoso formado de plasma, tempero e tudo o que há de bom" ou, mesmo "foda-se Pirronismo")Da proxima vez que o cometa Halley passar eu pegarei uma carona nele. Mesmo que seja em 2058 e tenha que ficar deixando o dedão em riste por todo esse tempo. Mesmo que não houver tempo pra tudo (e creia que tempo nunca é somente tempo). Uma fuga entre poeira estelar sob a orla da órbita e o olhar discreto das estrelas acima já compensa tudo. É quase como as noites em que pego o violão (roubado do meu colega de republica) e fico tocando na janela para a (já citada) pláteia de gatos minguados e cães vadios. Alguns miam o que eu espero ser um '
bis' (mas "
smiley" e "
we only come out at night" tem uns acordes e pegas safadas e
"the aeroplane flies high (turn left, look right)" não é legal sem distorção) e outros latem como se quisessem uma música em especial (não me venha com "
Who let the dogs out" do Baha men).
Então fico mudando de 'ré' para 'mi' e 'sol'. Enquanto entro nesse quasetranse, passa por minha cabeça todos aqueles sorrisos gigantescos e calorosos* que me fazem ter aquela dorzinha agradável que creio ser similar a uma dominatrix que chicoteia os caras de máscaras de couro
a la bondage. E é nesse estado de dormencia-que-me-faz-lembrar que encontro uma maneira de variar o meu cotidiano porém deixando-o a continuar sendo o mesmo. Sabe, hmm... é quase como quando você parece que está sonhando acordado, entende? Quando não sabe se sonhou aquilo tudo ou vivênciou? Se são memórias mesmo ou algum sonho de março. Eu tenho bastante disso mas espero não ser o único.
Ok, isso tá começando a soar e ficar Lynchiano demais (e olha que só assisti 'Eraserhead', pedaços de 'Twin peaks' e 'A estrada Perdida' para entender que ele é complicado) e eu curto Fellini. Que embora realista não deixa para trás um Kurosawa.
